Archive for the 'Resenha' Category
Em relação a outras formas de arte(cinema, teatro,artes plásticas,etc…), a música e a literatura tem um diferencial forte: ambas, como artes não visuais(pode se discutir se literatura é ou não é visual, mas isso agora não vem aos caso) nos permitem o exercício de “imagética visual”(mais uma expressão inventada!!!). Cada som ou cada situação induz nossa mente á criação de um universo visual único. No caso da música, pelo menos comigo, acontece outra coisa curiosa.Além da criação de imagens, as vezes ocorre um resgate de emoções e “feelings” do meu passado. O exemplo mais clássico disso: Quem nunca ficou alguns anos sem ouvir um disco e quando botou pra tocar de novo, sentiu o feeling da época retornar???
Ultimamente reparei que até músicas que eu nunca ouvi podem produzir esse mesmo efeito nostálgico. Uma delas é a que escolhi pra acompanhar esse post. È uma música do Air, aquele duo francês, e se chama “Once uppon time”. O disco como um todo é bem interessante. Tem algumas músicas que eu não gostei muito, mas as que eu gostei, gostei bastante. Os caras conseguiram fazer uma mistura bem diferente de chill out com inlfuências orientais, psicodelia, e minimalismo. Mas essa música em especial me chamou bem atenção. Além do clima meio mágico, meio “História Sem Fim”, meio Senhor dos Anéis, me trouxe imagens e feelings da minha infância misturadas com esses filmes. A letra ajuda também, é bem sugestiva, fala de infância e de como o tempo passa rápido. Acho que até que rola um efeito na voz dos caras pra parecer voz de criança, mas o som é que ma chamou atenção primeiro( sempre me ligo primeiro no som) Ahh… e não sei porque pelo menos nos últimos tempos, me parece a música ideal para se olhar pra uma montanha.Pode, e sei que vai parecer meio piegas, mas quando eu ouvi esse som olhando pra Pedra da Gávea, o mundo fez mais sentido.
menos é mais
menos é mais e eu não tenho nada pra falar sobre eletro e minimal.
acho que, nem sempre, o minimal é efetivamente tão minimalista. podem ser músicas com arranjos muito simples, pouca riqueza harmônica ou melódica, mas não é sempre que eu diria que minimal é, de fato, minimalista.
mas o minimalismo é algo realmente lindo. sempre achei que as melhores músicas são aquelas mais simples, as que partem de idéias mais minimalistas. como sempre me dizia um professor, “simples não é simplório, e tem muita diferença entre os dois”. de pleno acordo!
e se é pra lembrar de citações de professores, que tal aquele mais esquecido dos lemas árcades, inutilia truncat. se todo mundo se lembra do fugere urben e do mais-do-que-óbvio carpe diem, o inutilia truncat é sempre deixado pra escanteio. e é, na minha humilde opinião, o mais importante de todos: corte os ornamentos desnecessários; vá pelo mais simples.
e, pela simplicidade, músicas geniais! partindo de uma idéia muito simples — uma levadinha de baixo de uma nota só!!! — e uma melodia bastante ingênua, surge uma música linda, cheia de detalhes e riqueza. com um arranjo muito bem construído, a música cresce de maneira surpreendente. e, por mais complexo que seja o arranjo final, a música não foge nunca ao seu princípio: a simplicidade, a célula minimalista.
dEUS, banda indie rock belga, com a música opening night, terceira faixa do terceiro álbum, in a bar under the sea, de 1996.
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