Archive for the 'Gil' Category
Hip Hop
Meus pais sempre foram bastante ecléticos em seus gostos musicais e ouviam de tudo. Acho que herdei esse ecletismo, porque também sempre gostei de coisas bem diferentes. Fui criado ouvindo todo tipo de música. De rock a jazz, passando por clássico e mpb, e principalmente soul e funk e música black em geral. Por isso quando eu comecei a prestar mais atenção em hip hop, de cara me liguei que aquilo era uma versão modernizada de coisas que meus pais ouviam na minha infância, tipo Marvin Gaye, ou Stevie Wonder, ou todo pessoal da Motown. Dentro do universo do rap me amarro em vários estilos diferentes. Gosto desde dirty south, que é o rap sujo do sul dos States,até o conscious rap , tipo Common, Guru, The Roots, etc. Nessa linha, um dos melhores sons que eu descobri ultimamente é Sadat X. O cara é de NY, e além de ter uma voz diferente e um dos melhores flows que eu já ouvi,os sons do cara são bem produzidos pra krlho. O cara é maior figura, e além de rapper é um dos caras que dubla um dos programas mais engraçados que tem por aí, o Kung Faux, que são os rappers americanos dublando aqueles filmes de kung fu chineses toscos da década de 80. Aqui no Brasil passa no canal fx, o 54 da Net.
Essa música tem provavelmente o melhor coral de vozes que já ouvi em música pop, dá até arrepio. Então sem mais frescura vai lá Sadat X- God is back.
Gil
Em relação a outras formas de arte(cinema, teatro,artes plásticas,etc…), a música e a literatura tem um diferencial forte: ambas, como artes não visuais(pode se discutir se literatura é ou não é visual, mas isso agora não vem aos caso) nos permitem o exercício de “imagética visual”(mais uma expressão inventada!!!). Cada som ou cada situação induz nossa mente á criação de um universo visual único. No caso da música, pelo menos comigo, acontece outra coisa curiosa.Além da criação de imagens, as vezes ocorre um resgate de emoções e “feelings” do meu passado. O exemplo mais clássico disso: Quem nunca ficou alguns anos sem ouvir um disco e quando botou pra tocar de novo, sentiu o feeling da época retornar???
Ultimamente reparei que até músicas que eu nunca ouvi podem produzir esse mesmo efeito nostálgico. Uma delas é a que escolhi pra acompanhar esse post. È uma música do Air, aquele duo francês, e se chama “Once uppon time”. O disco como um todo é bem interessante. Tem algumas músicas que eu não gostei muito, mas as que eu gostei, gostei bastante. Os caras conseguiram fazer uma mistura bem diferente de chill out com inlfuências orientais, psicodelia, e minimalismo. Mas essa música em especial me chamou bem atenção. Além do clima meio mágico, meio “História Sem Fim”, meio Senhor dos Anéis, me trouxe imagens e feelings da minha infância misturadas com esses filmes. A letra ajuda também, é bem sugestiva, fala de infância e de como o tempo passa rápido. Acho que até que rola um efeito na voz dos caras pra parecer voz de criança, mas o som é que ma chamou atenção primeiro( sempre me ligo primeiro no som) Ahh… e não sei porque pelo menos nos últimos tempos, me parece a música ideal para se olhar pra uma montanha.Pode, e sei que vai parecer meio piegas, mas quando eu ouvi esse som olhando pra Pedra da Gávea, o mundo fez mais sentido.
Pouca gente sabe, mas até os anos 60, o termo instrumental não existia. Era comum o público em geral sair pra ver um som instrumental tanto quanto um som cantado. Claro que uma Elis, ou um Jair Rodrigues tinham muito mais apelo e lotavam um lugar maior, mas conjuntos instrumentais tinham muito público tb, e chegavam até a tocar em programas de televisão junto com cantores populares. É claro que nesses programas a maior atenção era dada aos cantores e cantoras, as pessoas conheciam as letras e tal, mas junto no mesmo programa tocavam trios de piano, baixo e bateria, como o Zimbo Trio ou o Tamba Trio, e conjuntos como o Quarteto Novo com Hermeto Pascoal e o Airto Moreira, e o público sabia o nome dos músicos!!! Imagina hoje em dia se ia rolar um cara como o Hermeto, ou um trio de jazz num programa de tv aberta( a não ser na tve ou nos canais universitários talvez)??? O que aconteceu foi que, de repente, as gravadoras começaram a impor algumas barreiras a música instrumental. A merda da indústria de gravadoras que não se sabe ao certo porque de repente começou a separar e ditar o que era bom pro povo ou não. Então de uma hora pra outra instrumental virou coisa de elite, e os espaços foram sumindo. Hoje em dia são poucos que conseguem sobreviver. Grandes músicos, arranjadores ou maestros como o gênio recém falecido, Moacir Santos, Eumir Deodato, Luiz Bonfá, Sérgio Mendes……..só se deram realmente bem no exterior. Alguns deles foram e nunca mais voltaram. Porque??? No mercado internacional de músicos, o Brasil sempre teve um preço alto. Nossos músicos são admirados em qualquer lugar do mundo, e existe toda uma subcultura de venda de discos raros de bossa nova e música instrumental brasileira. Tem japonês pagando milhares de dólares por discos que aqui nego nem lembra que existe Claro que nem todos são essas maravilhas, mas é inegável a baixa valorização desses artistas em solo brasileiro. È só entrar numa Modern Sound da vida e ver a quantidade de disco importado de musico brasileiro!!!
A música que eu escolhi se chama “Tacho” que ta no disco “Missa dos Escravos” do Hermeto Pascoal, que por sinal foi gravado na gringa, e tem até participação da história viva do contra-baixo Ron Carter. OBS: Escrevi esse post à alguns dias, e por incrível que pareça não combinei nada com o João Paulo, apesar da temática tão parecida. È, parece que as ondas cerebrais viajam longe…
O Funk e o Eletro
Recentemente, talvez de uns cinco ou seis anos pra cá, o mundo da música eletrônica viu o eletro voltar à moda, só que renovado, misturado com elementos do house, do rock, do progressive e do tecno. Surgiram o eletroclash, eletrohouse, eletrotecno etc… .
O que é que isso tem a ver com o funk?.
Bom, em primeiro lugar o eletro e o funk são filhos do mesmo pai. Até seus temas, (sexo, drogas, principalmente cocaína), são dois lados da mesma moeda, exceto pela violência talvez. Até aí tudo bem, isso todo mundo sabe. O ponto onde quero chegar é o fato de que aqui no Brasil até alguns anos atrás, principalmente em SP, os ditos “modernos” torciam o nariz pro funk, colocando-o no mesmo patamar do pagode brega, o axé e a música sertaneja. Tinha até um anúncio de TV da Folha ou do Estadão que dava uma zuada no funk. E de repente o povo do eletro mais ligado de NY e da Europa percebeu as conexões entre os dois estilos e começou a ouvir Dj Marlboro e companhia.
Porque o funk carioca tem um diferencial… na verdade dois. Ele faz parte de um mundo incrivelmente mais perigoso e violento que qualquer e possui um swingue totalmente diferente dos demais.
Enfim, o que interessa é que o povo do eletrônico aqui do Brasil só foi dar valor ao funk carioca depois que os gringos deram. No Rio sempre houve uma aceitação maior. Até aqueles que diziam não gostar, nutriam uma certa simpatia, assim como o carioca que diz não gostar de praia, mas na real sente um orgulhozinho de morar na cidade maravilhosa.
Então agora que o Dj Marlboro e a Taty Quebra Barraco tocam na Alemanha, os modernos daqui, tanto no Rio quanto em SP, acham bacana pagar 50 conto ou mais pra ver uma galera que sempre tocou em lugares que o ingresso não custava nem dez.
Eu pessoalmente não ouço funk em casa, mas sempre curti as chamadas “montagens”, aquele funk mais sujo, sem letras às vezes, quase beirando o surrealismo. E mesmo assim, independente do que eu gosto ou não, sempre reconheci o funk como primeiro estilo de música eletrônica brasileiro.
O som que escolhi para acompanhar esse post é uma montagem de uns 10 anos atrás.
O vocal é o de menos, o legal são os timbres e as levadas de bateria e os synths. Esse som saiu numa coletânea da ZZ_Club e os vocais são de dois caras que hoje em dia tocam na minha banda.
OBS: Este é um assunto polêmico e resolvi fazer em partes. Semana que vem tem mais…Fui
Só pra constar…
Primeiramente devo dizer que sou blogueiro de primeira viagem. Nunca tive esse tipo de experiência, e pela falta de prática, com certeza cometerei erros estúpidos, alguns até imperdoáveis. Mas não se assustem!!! Com o tempo a coisa vai tomar forma e vocês vão ver que no meio do caos aparente de diarréia informacional(nem sei se isso é palavra) surgirão observações que talvez até façam algum sentido!!É importante ressaltar também que a imparcialidade jornalística não vai ser adotada. Mas isso não quer dizer que vou escurrachar qualquer coisa que não me agrade. Cada estilo deve ser julgado com seus próprios parâmetros, sem comparações meramente técnicas ou juízo de valor. Se arte fosse questão de técnica, disse algum teórico que agora não lembro, aqueles caras que fazem barquinhos dentro de garrafas de vidro seriam os maiores artistas do mundo.
O mundo muda todo dia, e nós também. Cada época de nossa vida tem as músicas que lhe convém e não existe um momento igual a outro. Por isso esse espaço não tem uma direção exata, e tudo que for interessante, vai ser discutido.
De resto espero que esse seja um espaço livre de preconceitos e que a música seja discutida em vários níveis de compreensão e entendimento. O som que escolhi pra acompanhar esta introdução é um som do Jamiroquai que não tem nada demais, mas ultimamente eu to ouvindo direto e tem uma dessas melodias pops bem gostosas de ouvir, que grudam na cabeça, no bom sentido. Sem esquecer do swing e do groove inconfundível dos caras.Fui…
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