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Archive for the 'Boecker' Category

começo agradecendo meu pai, o real responsável por este post: valeu!!!

essa é a música mais avant-garde que eu postei até agora. a mais experimental, a mais louca. a com o pensamento mais futurista possível. só que ela é dos anos 60…

origens da música eletônica comercial, Perrey and Kingsley são os autores dessa pérola chamada Swan’s Splashdown, datada de 1966. faz parte do álbum The In Sound from Way Out!, o primeiro trabalho da dupla e considerado como o primeiro disco mainstream de música eletrônica.

enfim: uma música sensacional, o som do futuro… ainda mais se considerarmos que, 41 anos atrás, já estariam dando a dica do que ouvir hoje. a prova de que — nem sempre — o mais novo é, também, o mais moderno.

o que eles não consideravam, com certeza, é que esse chiado do lp de vinil que tanto perturbava lá em 1966 seria uma hype tão forte mais de 40 anos depois. e, sem querer, mais uma vez eles acertaram o que a gente estaria ouvindo hoje!

então, tá dada a indicação. estão dados todos os links pra quem quiser ler mais a respeito. agora, chega de bla bla bla, e vamos escutar!!!

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indie-pop-rock.

uns dizem que é pobre, uns dizem que é simplório. posso até concordar em alguns momentos, mas no geral, acho um gênero agradável e objetivo. se vale divagar, pra mim é um punk sem fazer barulho… melodias simples, harmonias simples… mas com uns toques de experimentalismo, peso sem fazer esporro, sonoridades etéreas sem dar sono, doideiras sem ser cansativo…

e se existe um deus no mundo indie, pra mim esse deus se chama — olha a piada infame!!! — dEUS. por anos foi o representante máximo do indie, na minha humilde opinião. e daí, descobri que lá na terra deles — que a gente, aqui, simplesmente nem sabe que existe direito — tem um monte de gente que leva um som nessa mesma levada. nunca ouvi falar em indie-belga como um estilo, mas eu realmente escuto uma grande identidade musical no som do povo de lá.

e, nessas de escutar muito do que é tocado na bélgica, eis que encontrei uma banda que faz frente ao meu mito musical de antes:

mintzkov. o nome é meio escroto, eu acho. mas o som dos caras é sensacional! indie-belga (acho que acabei de inventar um gênero, né…) da melhor qualidade! um pouco de loucura, mas sem exageros; um certo peso, mas sem doer o ouvido; melodias simples, sem pobreza; e uma carga emocional muito forte, sem ser piegas ou brega. um som muito equilibrado, mas que merece um adjetivo especial da minha parte: visceral.

tá dada a indicação… aproveitem o som!!

aqui, in every crowd, do tempo em que a banda ainda se chamava mintzkov luna.

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ms john soda

16Jun07

falando pouco, mas pelo menos postando pra ver se esse blog volta a indicar alguma coisa.

a boa de hoje: ms john soda.

parte do cardápio do excelente selo morr music, trata-se de um duo alemão de respeito: o tecladista do “couch“, mais o genial baixista do “Tied & Tickled Trio” e do “notwist” — não precisa dizer mais nada, né?

pra quem gosta de idm, synth-pop e fortes pitadas de indie, ms john soda é uma boa pedida. e a música da vez é no one, do ep While Talking, de 2003. vale a pena conferir a discografia dos caras, é coisa boa!

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menos é mais

25Apr07

menos é mais e eu não tenho nada pra falar sobre eletro e minimal.

acho que, nem sempre, o minimal é efetivamente tão minimalista. podem ser músicas com arranjos muito simples, pouca riqueza harmônica ou melódica, mas não é sempre que eu diria que minimal é, de fato, minimalista.

mas o minimalismo é algo realmente lindo. sempre achei que as melhores músicas são aquelas mais simples, as que partem de idéias mais minimalistas. como sempre me dizia um professor, “simples não é simplório, e tem muita diferença entre os dois”. de pleno acordo!

e se é pra lembrar de citações de professores, que tal aquele mais esquecido dos lemas árcades, inutilia truncat. se todo mundo se lembra do fugere urben e do mais-do-que-óbvio carpe diem, o inutilia truncat é sempre deixado pra escanteio. e é, na minha humilde opinião, o mais importante de todos: corte os ornamentos desnecessários; vá pelo mais simples.

e, pela simplicidade, músicas geniais! partindo de uma idéia muito simples — uma levadinha de baixo de uma nota só!!! — e uma melodia bastante ingênua, surge uma música linda, cheia de detalhes e riqueza. com um arranjo muito bem construído, a música cresce de maneira surpreendente. e, por mais complexo que seja o arranjo final, a música não foge nunca ao seu princípio: a simplicidade, a célula minimalista.

dEUS, banda indie rock belga, com a música opening night, terceira faixa do terceiro álbum, in a bar under the sea, de 1996.

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choro

23Apr07

se você está esperando ler alguma coisa sobre música brasileira, não leia esse post. ou então, leia, mas não diga que eu não avisei.

choro, o ato de chorar. de acordo com o Michaelis, cho.ro (ô) sm (de chorar) 1 Ato de chorar; lamentação, pranto. Pl: choros (ô). Antôn (acepção 1): riso.

só que, ao definir o choro, não se fala sobre os diversos choros que existem. e, quem chora, sabe que cada choro é único. o clássico choro de um bebê: que tem fome, que precisa de cuidados, enfim. qualquer mãe sabe reconhecer o choro de seu bebê, e sabe que cada um tem um significado. o choro de dor; o choro de raiva; de angústia. bem particular, também, chorar de tanto rir.

dentre os infinitos tipos de choro, um em especial me interessa: aquele que não é triste, nem alegre. não é melancólico, não é raivoso. sem dor nem alegria. contemplativo, talvez? difícil achar um adjetivo, um substantivo, qualquer palavra que sirva pra definir esse tipo em especial. e é tarefa complexa definí-lo.

se trata daquelas lágrimas que saem sem motivo aparente, sem razão óbvia. como quando se olha para a namorada, mesmo depois de tanto tempo, e se apaixona de novo. assim mesmo, sem motivo. aquela lágrima discreta que aparece meio que sem querer num dia qualquer que se anda pela rua e se presta atenção em algum detalhe qualquer, ínfimo, irrelevante até, mas que sem nenhum motivo aparente, traz uma emoção. talvez seja um tipo de choro introspectivo. quem sabe? e, como eu não acho palavra certa que defina essa emoção — por um lado tão vazia, tão etérea; por outro tão complexa e indescritível — deixo aqui a música que deveria constar no dicionário pra definí-la. quem sabe um dia os dicionários toquem música…

the turtle, música original do pilote, na versão do bonobo. a definição que esse choro tem, condensada em uma música que não tem como descrever, assim como aquilo que ela descreve.

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já que o tema é música de viagem, meus cinco centavos.

nada relativo a nenhuma viagem específica, nem relativo a nenhuma diferença cultural. mas acho que todo mundo tem algum tipo de música que é ideal para algum tipo de coisa. sempre tem aquelas boas faixas pra dirigir, ou as pra encarar uma fila de banco, e por aí vai.

existe, claro, até um certo cliché em alguns estilos ou faixas, nem vou perder meu tempo com os jantares à luz de vela que sempre tem djavan na trilha sonora. pessoalmente, esse tipo de cliché me irrita um tanto, como ir viajar e, no meio da estrada, alguém no carro saca um cd com músicas ótimas, e quando você aperta play, vem um born to be wild. chega!

mas, clichés à parte, o que sempre me chamou atenção é um fenômeno estranho que acontece comigo: não é a música para fazer alguma coisa, é o fazer alguma coisa pela música. tem horas que eu quero escutar uma música, mas ela não soa bem. eu gosto da música, quero ouvir, mas não dá. acho que, quando isso acontece, é porque falta um cenário que dê sentido à música. e aí, não existe cliché, é puramente a subjetividade — ou loucura — de cada um.

dentro desse exemplo, eu tenho o mais concreto e, ao mesmo tempo, mais subjetivo. concreto porque é muito sério a maneira como isso me faz sentido, subjetivo porque isso, eu suponho, só faz sentido pra mim. não tenho razões lógicas pra isso, simplesmente acontece. a indicação é o disco almost happy, da banda belga k´s choice. um disco que, à primeira audição, não me emocionou. achei bom, mas não mudou minha vida, não me acrescentou nada. alguns dias depois, eu estava em um ônibus e com algum cd qualquer que não estava fazendo sentido naquele momento. não sei porque, resolvi escutar de novo aquele disco “novo” do k´s choice (já era 2002, e o disco era de 2000) que estava jogado na mochila. e eu achei o disco maravilhoso, impecável. só que ele só me soou bem andando de ônibus. ao ponto de eu já ter, recentemente, ido de ônibus algumas vezes para o trabalho só pra escutar esse disco, porque nem sempre ele soa bem em casa.

fica aqui a faixa título do disco, almost happy. indie pop melancólico — mas não triste. e a voz inconfundível da sarah bettens, uma das vozes mais confortáveis que eu conheço. mas recomendo o disco inteiro, na ordem. além das ótimas músicas, é daqueles discos pra se ouvir inteiro, de uma vez só. de preferência, num ônibus.

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começando essa geringonça com um título consideravelmente narcisista… vou seguir a onda do joão e fazer um post introdutório com alguma coisa sobre mim. e aqui está, acho que a música que mais pode dizer sobre meu ponto de vista sobre música: little quail and the mad birds!

sim, eu gosto de little quail. e little quail pode ser definido com um adjetivo que eu uso sempre: divertido. uma harmonia blues totalmente tradicional, sem nada de novo, instrumentistas longe de qualquer virtuosismo e uma letra boçal. mas é divertido! é uma banda capaz de não inventar nada novo, mas fazer música com personalidade. a genialidade está em detalhes sutis. genial quem consegue ser diferente fazendo o mesmo.

“o sol eu não sei” é o nome dessa faixa do primeiro disco, “lírou quêiol en de méd bârds”. vale prestar atenção nas pausas — a guitarra, logo no começo; a bateria, no meio do solo. e a letra, sem comentários! idiota, mas genial!

bom, é isso. que eu seja bem vindo…

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