Archive for May, 2007
Pouca gente sabe, mas até os anos 60, o termo instrumental não existia. Era comum o público em geral sair pra ver um som instrumental tanto quanto um som cantado. Claro que uma Elis, ou um Jair Rodrigues tinham muito mais apelo e lotavam um lugar maior, mas conjuntos instrumentais tinham muito público tb, e chegavam até a tocar em programas de televisão junto com cantores populares. É claro que nesses programas a maior atenção era dada aos cantores e cantoras, as pessoas conheciam as letras e tal, mas junto no mesmo programa tocavam trios de piano, baixo e bateria, como o Zimbo Trio ou o Tamba Trio, e conjuntos como o Quarteto Novo com Hermeto Pascoal e o Airto Moreira, e o público sabia o nome dos músicos!!! Imagina hoje em dia se ia rolar um cara como o Hermeto, ou um trio de jazz num programa de tv aberta( a não ser na tve ou nos canais universitários talvez)??? O que aconteceu foi que, de repente, as gravadoras começaram a impor algumas barreiras a música instrumental. A merda da indústria de gravadoras que não se sabe ao certo porque de repente começou a separar e ditar o que era bom pro povo ou não. Então de uma hora pra outra instrumental virou coisa de elite, e os espaços foram sumindo. Hoje em dia são poucos que conseguem sobreviver. Grandes músicos, arranjadores ou maestros como o gênio recém falecido, Moacir Santos, Eumir Deodato, Luiz Bonfá, Sérgio Mendes……..só se deram realmente bem no exterior. Alguns deles foram e nunca mais voltaram. Porque??? No mercado internacional de músicos, o Brasil sempre teve um preço alto. Nossos músicos são admirados em qualquer lugar do mundo, e existe toda uma subcultura de venda de discos raros de bossa nova e música instrumental brasileira. Tem japonês pagando milhares de dólares por discos que aqui nego nem lembra que existe Claro que nem todos são essas maravilhas, mas é inegável a baixa valorização desses artistas em solo brasileiro. È só entrar numa Modern Sound da vida e ver a quantidade de disco importado de musico brasileiro!!!
A música que eu escolhi se chama “Tacho” que ta no disco “Missa dos Escravos” do Hermeto Pascoal, que por sinal foi gravado na gringa, e tem até participação da história viva do contra-baixo Ron Carter. OBS: Escrevi esse post à alguns dias, e por incrível que pareça não combinei nada com o João Paulo, apesar da temática tão parecida. È, parece que as ondas cerebrais viajam longe…
Sou Pop toco Jazz
Foi mal pela demora de atualização, mas tivemos uma temporada de muitas ocupações. O título da postagem de hoje pode parecer questionador, mas tem a ver com diversas coisas que têm acontecido comigo hoje em dia e um documentário sobre a história do Jazz. Eu estou por uma das primeiras vezes na minha vida investindo no mundo de jazz. Estou montando uma banda de Ska Jazz Instrumental, altamente desafiador para alguém como eu que com 11 anos tocando em bandas de rock e algumas de mpb. O Ska Jazz é uma mistura do Ska clássico jamaicano com uns conceitos Jazz, aquela esquema de repetições de algum tema e entre isso diversos improvisos. Bandas como Skatalites, Tokyo Ska Paradise Orchestra, New York Ska Jazz Ensemble e muitas outras que estou descobrindo estão abrindo a minha mente para um mundo incrível que sempre tive receio de explorar o Jazz. Diferente do Jazz, o Ska tem um fator determinante para ser mais agradável, ele é dançante, musica para mim, indiferente do estilo, tem que ser minimamente dançante, até musicas tristes que dão os passes de dança para as lagrimas, poético né? O Jazz por muito era visto por mim como som snob e prepotente, que a maioria das pessoas que gostavam de Jazz, não ouviam por se identificarem com o som e sim por querer fazer parte de um grupo social, mas isso mudou depois de conhecer parte da história do jazz. O documentário JAZZ, dirigido por Ken Burns, conta a história do Jazz. Só consegui acabar de ver o primeiro dos quatro DVDs, esse que eu vi conta a origem do Jazz em New Orleans. Em nova Orleans ocorreu uma forte mistura étnica pelo grande numero de imigrantes e a escravidão, que tinha sido abolida, ainda era normal. Toda essa mistura de raças e culturas levaram à necessidade de se encontrar uma linguagem, e foi a musica a melhor forma encontrada. Uma musica sem leis, onde o improviso eram as palavras. Esse movimento musical ainda sem nome era visto como uma coisa popular sem valor, sem classe, mesmo sendo muito apreciado entre os jovens nobres da sociedade. Outro elemento importante para o crescimento do jazz, especialmente para os pianistas, foram os puteiros que gostavam de uma musica animada para estimular seus clientes. Resumindo, por que vale a pena ver o documentário, o jazz nasceu e cresceu no gueto, uma semelhança, um pouco forçada, com rap e o funk, forma de expressão encontrada pelos subúrbios brasileiros para se expressar musicalmente (depois eu explico a minha teoria de qual é a importância do Rap e o Funk). O Jazz é uma coisa originalmente popular e que só cresceu por causa do gosto popular, e muitos dos membros desse movimento viram como é importante o gosto popular que sempre procura se divertir. Por isso que a indicação é um dos maiores compositores do Brasil, Moacir Santos com a musica Coisa Nº4, um dos melhores arranjos de musica instrumental que já ouvi. Simples objetivo e divertidíssimo.
Standard Podcasts [4:07m]: Play Now | Play in Popup | Download | Embeddable Player | Hits (1203)Show do UDORA no RJ 30/04/2007
Como começar a fazer a crítica de um show? Confesso que essa é a primeira vez em que realmente quero me esforçar para expressar todos os sentimentos que tive durante o show. Não é fácil para um fã, depois do primeiro show, procurar as melhores palavras.
Pode parecer que vai ser “puxasaquismos”, mas a verdade é que o show do UDORA no dia 30 de abril de 2007 no Teatro Odisséia no Rio de Janeiro foi maravilhoso. Alto, forte, bem executado, carinhoso e íntimo são as melhores expressões que encontro para resumir uma mistura de sentimentos e sensações.
Mas vamos lá. Vou começar a descrever.
O show começou tarde, por volta de 1:20 da manhã. Eu já estava cansado de esperar. As bandas que tocaram antes não me animaram nem um pouco. Entrei na casa procurando apenas uma coisa: UDORA.
No final do show da banda anterior a eles, corri para a frente do palco procurando uma boa posição para tirar as fotos e, mesmo sem terem tocado nada, já deu para sentir que eles não tinham vindo para brincar. Trocaram os cabeçotes dos amps de guitarra e baixo pelos deles. Muitos músicos presentes começaram a babar pelo cabeçote Orange, objeto de desejo de muitos guitarristas.
A montagem de palco foi longa e cansativa, mas valeu a pena. Assim que a banda entrou no palco, um fervor de ansiedade tomou conta de mim e de todo o espaço. Era hora de rock, e nada melhor do que Pieces do disco Liberty Square para abrir o show. Não sabia se tirava fotos ou me esgoelava tentando acompanhar os gritos do vocalista Gustavo. Com certeza uma entrada perfeita para matar a fome de centenas de fãs sedentos.
A segunda música foi Faith & Reason, uma das minhas preferidas. Em seguida vieram Fade Away e a lindíssima Breathing Life, que tirou mais ar dos pulmões do público do que encheu, embora só tenha dado mais vida à casa.
A tríade de hits do Liberty Square foi perfeita para aquecer a galera, mas eu estava na expectativa de ouvir as músicas em português, e meu desejo foi realizado a partir da quarta música. Tocaram A Falta (Que Me Faz) seguida de Por Que Não Tentar De Novo (essa, por sina,l é a nova musica de trabalho que já tem até um clipe. Empolgante e introspectiva, com certeza será um sucesso).
Depois do momento português chegou a hora do “revival” DIESEL, com Burn My Hand e Drain. Eu nunca imaginei que essas músicas tinham marcado tanto o público carioca que cantou com empolgação e uma certa adoração. Cheguei a pensar que alguém iria tentar, literalmente, queimar a mão.
Continuando o set, veio When it ends, na versão ao vivo que consegue emocionar qualquer um. Depois, a pedido do público, Guerrilheiro Só, O Carnaval Morreu (que fica perfeita ao vivo, com um refrão forte e marcante), Meu Pior Inimigo (uma das melhores letras e melodias que já vi em algum tempo), e para fechar, duas músicas certamente perfeitas para marcar todos: 4D (uma das melhores e mais agressivas musicas da época DIESEL) e The Beautiful Game, do disco Liberty Square. Foi aí que o caos tomou conta do palco e da platéia. As músicas não eram mais ouvidas, porém sentidas, como um forte soco no peito (por sinal, levei um soco nas costas de um fã animado, pulando em cima das pessoas).
No BIS, tocaram Phantom Limb, do Liberty Square (que levou 15º lugar num concurso de composições internacional com menção honrosa) e Plastic Smile, do DIESEL.
As músicas novas funcionam muito bem ao vivo e são extremamente empolgantes. Essa é uma crítica que devo fazer (imagino que esse seja o momento em que os leitores que gostam da banda vão querer me bater): O UDORA podia ter investido mais nas musicas em português em seu show. Foram 5 músicas, se não me engano. Sei que todos estavam com vontade de matar a saudade do DIESEL e curiosos para conhecer ao vivo as músicas compostas nos EUA, mas mesmo assim acredito que a banda pode confiar mais nas atuais composições.
Bem, vou falar um pouco do público, que deu um show à parte. Animados e energéticos, cantaram cada palavra, letra, “yeah” e “aaahhh” das músicas. Para que backing vocals com microfones cheios de compressor quando se tem um coro cantando do fundo do coração? Emocionante!
Quanto à performance da banda, não tenho nada a reclamar. Pelo contrário, só elogios. Todos os problemas normais de um show, como cordas arrebentadas e perda de baquetas não interromperam o fluxo do show. Foram até brechas para um entrosamento com o público.
Para fazer uma análise individual de cada integrante da banda, vou ter que contar detalhes de antes, durante e após o show, e por ordem de contato.
O primeiro que eu encontrei foi o Leo. Fiquei meio receoso de abordá-lo, mas como sou cara de pau, fui lá dar um alô. Apresentei-me, falei do blog, que queria tirar umas fotos da banda e blábláblá. O cara é gente fina. Talvez pelo momento tenha parecido meio fechado, mas com certeza deve ser alguém divertido para sentar e passar horas conversando. Ele é um ótimo guitarrista, preocupado em executar com perfeição cada nota e tirar o melhor som para elas - detalhes que podem sair despercebidos nos shows, mas que dão toda a graça para quem conhece as músicas.
Depois troquei algumas palavras com o Gustavo, que parecia animado com o show, mas também bem concentrado. O cara é muito simpático, realmente demonstra um grande carinho com todos, carinho que foi presente durante todo o show, fosse trocando olhares, apertando mãos ou agradecendo o público pela energia. O Gustavo é um cara espetacular (nossa, isso soou meio gay, mas tudo bem). O cara canta muito bem, toca guitarra maravilhosamente, agita a galera e cria um entrosamento banda-platéia espetacular. Às vezes, parece que todos são amigos de longa data. Depois do show, não tive muita chance de conversar com ele devido à onda de fãs querendo autógrafos e fotos, mas próximas oportunidades virão, com certeza.
Para falar do Debarry, tenho até que pôr a música Chama o Debarry, brincadeira que a banda fez para falar dele. O cara é uma figura. Simpático e comunicativo, consegui bater um papo com ele antes do show. Não foi muito longo por causa da barulheira, mas ele parecia o mais ansioso em começar a tocar, e não era à toa. Ele realmente demonstra uma paixão por tocar. Bateu cabeça em todas as músicas e ocupou perfeitamente a posição de baixista da banda. Como sou baixista, tenho que fazer algumas observações mais técnicas: Debarry toca muito bem, tem um timbre que não me agrada muito, mas que funciona perfeitamente na atmosfera das músicas. Depois do show eu nem o vi. Fica para a próxima, né?
O PH tem tatuagens nas pernas muito show de bola. O cara é um batera animal. Canhoto que não inverte a bateria, mão pesada e precisa, dando a pressão essencial para que o show fosse o que foi. Depois do show, consegui falar com ele. O cara é bacana, me contou alguns detalhes sobre o CD novo, sobre os shows e as viagens e explicou a hilária origem da musica Chama o Debarry.
Resumindo, a banda está de parabéns. Mostrou um serviço profissional e de qualidade. Como músico, posso dizer que estou aliviado. Encontrei uma banda que faz um rock brasileiro sério e muito bom, algo que tem se perdido já há algum tempo.
Como eu falei no início, não irei ficar só nos elogios. É verdade, o show foi muito bom, mas em muitos momentos o som da casa realmente me incomodou. Às vezes parecia estar alto demais, o que fez perder a definição em muitas das músicas. A voz do Gustavo parecia meio apagada, muito em conta do lugar em que eu estava. Sei que às vezes volume cria energia, mas parecia meio exagerado tudo estar tão alto e berrante. Esse comentário pode soar ranzinza, mas as composições do UDORA são ricas em detalhes, e é muito chato quando elas se perdem no meio de um bolo sonoro.
Todas as fotos apenas click aqui
Vídeos: Pieces Fade Away A Falta (que me faz) Por que não tentar de novo When It Ends O Carnaval Morreu
Agradecimentos especiais para Henrique Granado e Geraldo Côrtes
Entrevista com Gustavo do Udora
Agora para vocês uma entrevista com o Gustavo, vocalista do UDORA, sobre o impacto de todas as viagens sobre ele e musica.
Gustavo para começar você poderia fazer uma pequena auto apresentação?
Meu nome é Gustavo Drummond, mineiro, e canto e toco no Udora.
Você é viciado em musica? Acho que viciado não, mas gosto muito.
Qual foi seu primeiro impacto musical? No sentido de que qual ou quais bandas foram as primeiras começou a ouvir e se identificar? The Beatles, Michael Jackson, Balão Mágico e Gilberto Gil
Eu li em outras matérias e entrevistas que você já morou em diversas cidades do Brasil, quais? E como que essas mudanças de ambiente podem ter influenciado diretamente com seu gosto musical? São Luís-MA, Imperatriz-MA, Itabira-MG, Belo Horizonte-MG, Salvador-BA, Santa Marta e Bogotá (Colômbia), New York, Los Angeles. Eu acredito que as viagens constantes que tive por meu pai ser engenheiro civil e ter sido constantemente transferido só me ajudaram a desenvolver gostos e interesses por culturas diferentes. Creio que a música, minha grande paixão, foi sendo moldada e construída a partir do que vivi nesses lugares.
E musica é coisa presente em sua família, ou foi algo que começou entre os amigos? Minha mãe é acordeonista e minha avó arranhava um violão. Foi por causa da minha avó que comecei, usando os livrinhos de acordes dela.
Com o Diesel, você chegou a viajar muito pelo Brasil? Gostaria que falasse um pouco sobre esse tempo? As bandas com quem vocês dividiram palcos, quartos, ônibus e outras aventuras? Viajamos bastante. Fomos à diversos estados de diferentes regiões e era bastante divertido. Já tocamos com Dead Fish, Deceivers, Cachorro Grande, Seash, Unfashion, Habagaceira entre inúmeras outras bandas. Histórias engraçadas temos aos montes, desde risadas, confusão em hotéis, a alegria de conhecer pessoas novas e desventuras com amigos e “amigas”.
E essas viagens com o Diesel, você deve ter conhecido bem as diferenças de estilo e sonoridade dos estados diferente, a pergunta é: tem diferença? Isso te influenciou? Acho que dentro de cada estado há uma pequena estética que prevalece de forma bem sutil. Creio que mesmo sendo oriundos de BH, não fomos influenciados de forma marcante pelo que era de outras partes, até porque nossa grande referência na época eram bandas gringas.
Continuando a falar de viagens, o Diesel depois do Rock in Rio resolveu arriscar em terrenos internacionais (Estados Unidos), essa viagem causou algum impacto na sonoridade da banda? Quais as bandas novas e diferentes você conheceu lá? Claro que sim. Nós mudamos de acordo com o que ocorria à nossa volta e o resultado disso foi o disco Liberty Square, que é vastamente superior ao que fizemos com o Diesel, musicalmente falando. De bandas novas, temos ouvido muito Feist, The Bronx, Madeleine Peiroux e Spoon.
Você mantem uma participação ativa na comunidade do Orkut, respondendo perguntas, duvidas e curiosidades, alem de fazer aquela divulgação básica: Você essa relacionamento importante? Ele mudou desde que voltou ao Brasil? E como foi feita esse “networking” no EUA? Acho muito importante. Sempre tive esse relacionamento de acessibilidade total com os fãs. A diferença é que antigamente ele se dava no fórum do website e hoje em dia foi feita na comunidade do Orkut. Nos EUA a gente usava o myspace.
Para fechar, Nos aqui do indicadores vamos ganhar uma copia do Goodbye Alô? Se vocês começarem a fazer mais perguntas relativas ao Udora, Goodbye Alô e menos sobre Diesel e coisas de 6 anos atrás sim. ahhahhahah. Brincadeira, é claro que sim!
Seus principais influenciadores: Top 10 Bandas Estrangeiras: Beatles, The Clash, The Who, Sex Pistols, AC/DC, Michael Jackson, Miles Davis, Feist, Queen, The Police Top 10 Bandas Nacionais: Tom Jobim, João Gilberto, Jorge Ben, Úteros em Fúria, Formidável Família Musical, Titãs, Tim Maia, Mutantes, Secos & Molhados e Caetano Veloso.
Agora Gustavo como é normal de cada material do Blog gostaríamos que você indicasse uma musica para os leitores ouvirem, pode ser uma musica que você goste ou do próprio Udora. Udora - Por Que Não Tentar De Novo?
Grande abraço João Paulo!
Gustavo
Standard Podcasts [3:38m]: Play Now | Play in Popup | Download | Embeddable Player | Hits (327)













